quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

" Nhô Mirtinho"

“Nhô Mirtinho”

Nas linhas das rugas
De um velho desconhecido
Lembranças do meu avô
Um sábio, esguio, franzino.

Homem de sorriso fácil
De passo curto e postura ereta
De tantas historias tão incertas
Mil vezes contadas de forma correta

Por onde andou fixou seu teto
Cultivou amigos e desenhou seu tempo
Pintando de lembranças vivas
O coração dos seus afetos

Pai de muitos e professor de todos
Do seu modo e à sua maneira
Educou com o pouco que sabia
Nossos pais, mães, tios e tias

O destino generoso lhe foi
Com o presente de vários anos
O privilegio de netos e bisnetos
E o amor de outros tantos

Na beira do rio e no blefe do baralho
No fogão a lenha, no pinhão sapecado
A saudade do meu velho avô
Será sempre, seu maior legado

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Neon

Neon
De nada adianta toda poesia
Se não se pode viver a rima
Se a lágrima que desce é cinza
De um gosto doce que amargo ficou

Quisera eu poder que um prisma
Misturasse todos os tons
E que toda a cor da minha vida
Fosse sempre azul neon

Transformando toda a cor da rima
Em arcos-íris de belos sons
E a noite escura vira dia
E o que era amor vira paixão

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Per me

Per me
Perfeitamente perfeito
É tudo aquilo que alegra alma
E que bate forte no peito

É aquilo que da jeito
Pro que não tem jeito

Que suspira os calafrios
Em densos batimentos
De compassos intensos



domingo, 24 de janeiro de 2016

Orla

Orla
Pedi ao mar e à Lua
E ao sopro dos ventos
Durante tanto tempo

Sua pele na minha
Seu beijo no meu

E o mar combinou com a Lua
E o vento soprou ao tempo

E a pedra da barra foi testemunha
Da conspiração
Dos meus pensamentos

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Agosto

Agosto

Você no meu
Abraço...
Lacuna temporal
Lapso...
Sua prosa ecoa na
Alma...
Éter do meu verso
No tempo
Escasso...
Foge que eu te
Encontro...
Motivo do meu
Riso...
Anseio do meu
Canto...

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Intimidade

Intimidade

Aceita eu
Do jeito que eu
Lhe aceito

Conforta eu
Deitado em
Seu peito

Senti seu coração
Batendo
De desejo

Pedindo à boca
Roubar
Um longo beijo

Tempera eu
Com seu
Toque maneiro

Que eu vou provar
O seu corpo 
inteiro

Pra quando
O Sol for brilhar
Adormecemos

Coloca o meu
Retrato em
Seu espelho

Que eu tenho
O seu colado
Ao travesseiro

Pra quando
Longe estivermos
Perto estaremos

domingo, 4 de outubro de 2015

Girassol

 
 Girassol
 
Não me deixes de amar
Não te deixes me perder
Não se encante em outro olhar
Não corra o risco de sofrer
 
Não procure em outro alguém
Tudo aquilo que já tens
Pois num jardim de flores mortas
Se há perfume,está no além